Portugal condena "fortemente" projeto israelita de expansão de colonatos na Cisjordânia

Portugal condena "fortemente" projeto israelita de expansão de colonatos na Cisjordânia

À semelhança do que tinha já feito um grupo de sete países, Portugal veio condenar o projeto israelita que pretende construir milhares de habitações na Cisjordânia.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Mussa Qawasma - Reuters

O Ministério português dos Negócios Estrangeiros condenou “fortemente”, na noite de quinta-feira, a expansão de colonatos por parte de Israel na Cisjordânia. O Executivo frisa que esta decisão torna ainda mais difícil alcançar uma solução de dois Estados.

“A decisão do Governo de Israel de avançar com o projeto E1 deve ser fortemente condenada”, lê-se numa publicação do MNE na rede social X.

O Governo português considera que “a expansão de colonatos — neste caso a construção de 1.200 habitações na Cisjordânia — afasta as partes ainda mais da solução de dois Estados, consolidando a separação entre o Norte e o Sul da Cisjordânia”.


Em causa está o projeto de expansão do colonato E1, com cerca de 3.400 unidades habitacionais na Cisjordânia ocupada, numa área de 12 quilómetros quadrados entre o colonato de Ma`ale Adumim e Jerusalém Oriental.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal defende ainda que “os sucessivos atos de violência cometidos por colonos israelitas na Cisjordânia, tão nocivos a uma paz negociada, também não podem ficar impunes”.

“Portugal, com a UE e a Comunidade Internacional, não desistirá de apelar a que as partes alcancem uma paz justa, abrangente e duradoura, cumprindo as determinações de direito internacional”, acrescenta na publicação.
"Os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais"
Também na quinta-feira, sete países - Reino Unido, França, Alemanha, Noruega, Países Baixos, Itália e Canadá – tinham apelado a Israel para que interrompesse de imediato a expansão dos colonatos na Cisjordânia, incluindo o megaprojeto E1, considerando-o inaceitável.

Os subscritores alertaram que o projeto ameaça dividir em dois a Cisjordânia e a viabilidade do Estado Palestiniano.

“Numa altura de grave instabilidade na Cisjordânia, com níveis sem precedentes de violência de colonos contra civis e sérias restrições à economia palestiniana, esta decisão é ainda mais preocupante”, pode ler-se.

Na declaração observaram ainda que "o direito internacional é claro" e que "os colonatos israelitas na Cisjordânia são ilegais", posição que dizem estar apoiada reiteradamente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O projeto E1 foi aprovado em 2025, apesar de protestos das autoridades palestinianas e da comunidade internacional.

Agora foi oficialmente aberto o concurso a licitantes para a construção de 1.234 das 3.401 unidades habitacionais anteriormente acordadas, com o objetivo de criar um bloco contínuo de colonatos judaicos desde Jerusalém Oriental até a Cisjordânia.

Cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia, ao lado de mais de 500 mil israelitas instalados em colonatos classificados como ilegais pelo direito internacional.

c/ Lusa
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